Conheça as

PATOLOGIAS DA MADEIRA

AGENTES DE DESTRUIÇÃO DA MADEIRA

Os agentes BIOLÓGICOS que dão origem à deterioração significativa da madeira em construção são sobretudo:

FUNGOS

  • CROMOGÉNEOS
  • LENHÍVOROS

INSETOS

  • TÉRMITAS
    • MADEIRA SECA (Cryptotermes brevis)
    • SUBTERRÂNEA (Reticulitermes grassei)
  • CARUNCHOS (Insectos de ciclo larvar)

FUNGOS e PODRIDÃO

Os Fungos são vegetais de organização primitiva que se alimentam das células e se disseminam no ambiente via esporos, em condições propícias de humidade e temperatura. Existem dois tipos de Fungos que atacam as madeiras: Fungos Cromogéneos (do Azulado) e Fungos Lenhívoros ou da Podridão.A humidificação em serviço de muitas espécies de Madeiras acima de determinado nível, leva ao desenvolvimento de Fungos Lenhívoros que originam a sua Podridão, que por sua vez leva a uma perda, geralmente irreversível, das suas propriedades físicas. Estes Fungos alimentam-se da parede celular produzindo danos graves na Lignina e/ou Celuloso e Hemicelulose, provocando uma perda de densidade, resistência e provocando uma alteração na coloração. Processo que leva a uma destruição e perda irreversível das propriedades mecânicas originais.

Os Fungos Cromogéneos ou do Azulado não têm um impacto direto nas propriedades mecânicas, apenas provocando uma alteração na sua coloração, sendo a mais comum o enegrecimento do material para um tom azulado escuro. Sendo as consequências muito menores, a sua presença, mantendo-se as condições de humidificação, tendem a evoluir para o desenvolvimento de Fungos da Podridão. O requisito mais importante para evitar problemas derivados do desenvolvimento de fungos é a humidificação de equilíbrio em serviço das Madeiras. Deve-se sempre manter um nível de humidificação inferior a 18 a 20%.

As diferentes espécies de Madeira têm um diferente nível de resistência ao desenvolvimento de Fungos, sejam eles lenhívoros ou da Podridão. A este respeito a norma EN350-2 Durabilidade natural da madeira maciça – Parte 2: Guia da durabilidade natural e impregnabilidade de madeira de espécies seleccionadas pela sua importância na Europa constitui uma excelente ferramenta de trabalho. Por outro lado a EN335-2 Definição das Classes de risco – permite classificar os cenários de exposição de acordo com probabilidade de humidificação.

Com base na exposição e tipos de madeira usados, podemos então tomar decisões sobre o tipo de tratamentos necessários com vista a mitigar os riscos de desenvolvimento de Patologias.

INSETOS E LARVAS XILÓFAGOS

Outra das Patologias mais importantes verificadas nas Madeiras de Construção é o ataque por insectos Xilófagos (insectos e larvas de insectos que se alimentam de madeira).Alimentam-se da Madeira, levando a uma perda progressiva de massa que afeta as suas propriedades estéticas e estruturais. Principalmente as Térmitas e as Larvas das diferentes espécies de Carunchos têm uma presença muito acentuada em todo o Território Nacional.

Também neste domínio a norma EN350-2 e a norma EN335-2 nos fornecem uma ajuda importante na avaliação da susceptibilidade de infestação das diferentes espécies de Madeira utilizadas e consequentemente no tipo de tratamentos necessários para a execução de construções em Madeira com segurança.Os processos de Infestação por Insetos são na maior das vezes fáceis de solucionar, sendo fulcral o conhecimento do deu comportamento e das tecnologias mais avançadas para o seu combate. Sendo decisivo atuar através de tratamentos curativos e preventivos da Madeira, sendo estes últimos extremamente mais económicos do que os segundos.

Na grande maioria das obras de Reabilitação é possível manter e recuperar as Madeiras existentes, protegendo-as de uma forma segura contra re-infestações futuras.

TÉRMITAS

Térmitas, Formigas com Asas, Formiga Branca, Bicho da Madeira são alguns dos termos geralmente usados para identificar um pequeno insectos que pode ter uma capacidade de destruição muito elevada do edificado em Madeira.Trata-se de Insetos de diferentes espécies que se organizam em colónias e que se alimentam da Celulose da Madeira. Quando as Térmitas infestam uma habitação alimentam-se de todos os materiais que contenham celulose, tais como cartão, papel e tecidos. Destroem caixas, livros, fotografias e papel de parede.

Comem o cartão do Pladur ® (gesso cartonado), deixando o Gesso sem sustentação.O facto de por vezes serem usadas designações genéricas como Formigas com Asas ou Formiga Branca (designação muito usada na Ilha da Madeira) tem muito a ver com alguma similitude existentes. O facto de em determinadas alturas do Ano terem asas, prende-se com o facto de determinados elementos da colónia pertencerem a uma casta reprodutora que enxameia em determinada altura do ano (variável com a espécie) com vista a formar novas colónias.

Na verdade a presença de Térmitas nas habitações é muito mais grave do que a presença de formigas devido à sua elevada capacidade de destruição do património e à dificuldade da sua irradicação.Em Termos genéricos existem dois grandes tipos de Térmitas no Territónio Nacional: Térmitas Subterrâneas (predominantes no Continente) e Térmitas da Madeira Seca (predominantes nos Arquipélagos da Madeira e dos Açores). Em termos de espécies temos a Reticulitermes grassei (predominante) e Reticulitermes flavipes (Ilha Terceira) nas Térmitas subterrâneas e a Cryptotermes brevis e a Kalotermes flavicollis nas Térmitas da Madeira Seca.

TÉRMITAS SUBTERRANEAS

Sendo a norma no Território Continental, a Reticulitermes grassei está distribuída por todo o Território Continental, estando universalmente presente e em grande número. Lisboa, Porto, Bragança, Faro, Figueira da Foz, Coimbra, Viana do Castelo, dificilmente se encontrará um local no Continente sem a presença desta espécie de Térmitas.Para que exista uma infestação, precisam de uma grande quantidade de humidade (do solo e/ou da madeira húmida), sendo por vezes consideradas como uma Patologia secundária da Madeira. A celulose (da madeira) é a sua dieta.

Normalmente as Térmitas vivem no solo (nos Ninhos), mas pode ser acima do solo se bastante humidade estiver presente. Uma colónia pode ser composta por centenas de milhares de indivíduos, que podem fazer uma quantidade substancial de danos num período relativamente curto de tempo. A partir dos Ninhos no solo viajam para as estruturas através de túneis neles escavados. Chegados às habitações, fazem tubos de lama (uma estrada coberta protegida contra a desidratação e predadores) quando saem do solo. Fazem uma prospecção aleatória à procura de Madeira / comida / materiais com celulose.

Ao contrário dos danos que provocam, estas térmitas nem sempre são fáceis de encontrar dado que passam a maior parte do seu tempo no solo, normalmente 2-4 metros abaixo da superfície. Os elementos de Madeira nos pisos inferiores com presença de humidade (>18%) são geralmente os primeiros a serem atingidos (rodapés, soalhos, estruturas…). Usam também os tubos eléctricos como forma de acesso às habitações, construindo depois Tubos de Lama de protecção ascendentes para a estrutura e Madeira junto a zonas mais húmidas.

Para prevenir o seu aparecimento temos os detalhes de contrução, Barreiras Físicas (obrigatórias em França) e Químicas (em desuso devido à legislação que impede a utilização de Químicos no solo). A Limpeza de Madeiras em Zonas adjacentes, Tapar fissuração no cimento, Isolamento de tubagem eléctricas e Eliminação de zonas de Humidade são também procedimentos importantes.
É possível monitorizar o seu aparecimento através de equipamentos como o Termatrac® , Audiotermes® ou de instalação de “iscos”.

TÉRMITAS DA MADEIRA SECA

Ao contrário das subterrâneas, esta espécies necessitam de uma quantidade mínima de humidade da madeira (<15%) para sobreviver, sendo também a celulose a sua dieta. Vivem dentro da madeira, sem necessitar da humidade e do contato com o solo, estando presentes em número elevado em São Miguel, Ilha Terceira e Ilha da Madeira. As colónias são pequenas, mas muito numerosas. Algumas centenas de indivíduos por colónia, mas várias podem coexistir na mesma peça de Madeira e/ou casa. Não requerendo contato com o solo, não produzem tubos de lama. O processo de destruição do edificado é geralmente mais lento devido à menor dimensão das colónias.

Durante o período de enxameamento, os alados voam de forma a encontrar pontos para formar novas colónias. Geralmente entram nas estruturas através do sótão ou ventilação nas fundações, sob beirais e através de fissuras naturais e juntas de madeiras expostas, janelas e caixilharias. Vulgarmente estão mais presentes nos andares superiores (menos movimento e menos luz). Seu material fecal parece “areia”, sendo que fazem furos para o exterior nas paredes, tetos ou madeira para descartar pelotas fecais e sendo esta uma das principais formas de detetar a sua presença.Para prevenir o seu aparecimento é fundamental a utilização de Madeira com tratamento preventivo. Selar e pintar todas as fendas da Madeira e Limpar e arejar os locais são outros dos procedimentos aconselhados.

É possível monitorizar a sua existência através da localização de furos fecais, utilização do Termatrac® e Audiotermes®. A utilização de armadilhas para apanhar os alados na época do enxameamento é também uma forma de monitorizar, sendo que nas zonas mais infestadas é muito difícil de se saber se os mesmos provêm de colónias existentes na habitação ou do exterior.

CARUNCHOS

Caruncho ou bicho da madeira é a designação comum a diversos insetos coleópteros de Ciclo Larval, cujas larvas se alimentam da celulose da madeira, reduzindo-a a pó. Durante a fase de reprodução as larvas transformam-se em insectos saindo da madeira e perfurando a mesma, criando um orifício cujo diâmetro varia com a espécie.A sua presença é generalizada pelo território Continental e Ilhas, sendo as espécias predominantes as seguintes:

Carunchos Grandes ou Carunchos Capricórnios (Hylotrupes bajulus),

  • Atacam preferencialmente o Borne de Elementos Estruturais de Madeiras Coníferas;
  • Perfuram galerias de elevado diâmetro (cerca de 1 cm) e produzem um orifício de saída de uma dimensão similar (6 a 10 mm);
  • Serrim em pequenos cilindros de pó fino;
  • Fazem ruido ao alimentar-se.

Carunchos pequenos das mobílias ou da casa (Anobium punctatum),

  • Atacam Madeiras Coníferas ou Frondosas, preferencialmente peças de mobiliários, mas também elementos estruturais;
  • Perfuram galerias e orifícios de saída de um diâmetro bastante mais pequeno (2 a 4 mm);
  • Serrim fino e rugoso em forma de ovo.

Carunchos Exóticos (Lyctus brunneus),

  • Atacam o Borne de Madeiras Folhosas / Frondosas, sendo bastante comum o ataque de Pavimentos;
  • Galerias mais finas e orifícios de saída com cerca de 2 mm;
  • Serrim muito fino.

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